25 Mai

O Tempo, um senhor imparável

Calei-me para que fale o meu silêncio, estou a remendar o meu destino, enquanto habito momentaneamente a nostalgia. Fiz de cada momento o meu lar e a minha escola, aprendi tanto com ela, agora encontro Mestres em todas as partes e tudo o que faço se transforma numa suprema cerimonia.

No inicio destes novos tempos, o meu entusiasmo derrubou-se por um momento, mas logo a seguir se pôs de pé novamente, mesmo que o furacão da incompreensão se tenha intensificado.

Atacou-me a frivolidade furiosa, receando a minha profundidade, assustado pela liberdade contagiosa, ceifaram a minha embriaguez libertária, mas logo voltei a florescer forte e vigorosamente e, enquanto chovam no meu coração lágrimas de nostalgia, compreendi que cada dificuldade é uma oportunidade de crescimento.

O eco da minha sombra lembra-me de quem sou e para o que vim. Quanta nostalgia sinto às vezes! Mas o avô pediu-me que continue, porque vim para despedir-me nesta vida, que por muito extensa que pareça, é só um gole.

Cada dia vivo um só dia, pela tarde já se morre e todo o universo se põe de luto. Na manha seguinte é outro dia, que também morrerá ao ocaso. Será que o ocaso me devolverá o dia perdido?

O Tempo é um senhor imparável que se passeia cada dia distribuindo oportunidades, o Tempo é um senhor que não perdoa, quem não cresce com as suas prendas quotidianas, inevitavelmente envelhece.

“Obrigado Pai, depois deste impulso subirei até ao amanhecer da minha existência e o meu ultimo medo será roído pelo amor, mas podes estar certo pai, que não passei em vão pela escola da terra.”

~ CHAMALÚ

(Extrato do livro “Rebeldias e Dissidências”)

CHAMALÚ é um homem de sabedoria que une o ancestral ao contemporâneo, o sagrado ao mundano, o interno ao externo. CHAMALÚ é um místico hedonista, um filósofo da vida, um sonhador prático, um poeta vivencial, um líder visionário que sonha com um mundo novo e vive em coerência com esse desejo.