22 Jun

A festa do sol Inka

Um frio germinal determina o início do inverno, no sul é o solstício, o pêndulo solar marca o ponto de maior distância com a terra, a noite boceja prolongada, é extensa e, desde hoje, começa a retroceder para dar lugar ao crescimento dos dias, euforia solar que estalará um semestre depois em outro solstício. Hoje amanheceu frio, o sol surgiu pontual ao compromisso energizante, à sua chegada o frio foi-se embora com discrição; que apodreça tudo o que está pendente, hoje conclui o que começou faz um ano e amanhece uma nova etapa, é o ano novo andino, oportunidade resplandecente para quem optou por viver desperto, um ano mais, um ano menos para os que permanecem adormecidos. 

Hoje concluímos um ciclo anual nos andes, o passado gradua-se em ruínas, dos seus escombros podemos retirar as pedras preciosas do ensinamento, hoje começa um novo ano, novo pela esperança, pelos sonhos inéditos e pela atualidade renovada; estar vivos fazendo o que todos fazem não é suficiente, é preciso avaliar-se ao concluir um ciclo e a continuação, editar os nossos melhores sonhos, colocar-lhes uma pista de aterragem e acender o novo sabendo que inclui tudo. Não é preciso pânico nem autoengano, é suficiente ter consciência da fugacidade e a atitude do empreendedor existencial que não está disposto a perder nem um só dia da sua vida.

O Inka remete-nos aos nossos ancestrais, os que marcaram a rota e escolheram o sagrado, os que descobriram que a vida é uma cerimonia e a continuação uma festa de crescimento, os que abriram o sulco e cantaram o crescimento da semente, os que fecharam os olhos par ver com todo o corpo, os que nos deixaram inspiradoras pegadas e nos alfabetizaram no idioma das pedras, das arvores e das estrelas.

Hoje, 21 de Junho deste ano, ratificamos o nosso compromisso com a vida: viver vivos até ao instante definitivo e então poder dizer: missão cumprida e a continuação que as nossas pegadas falem, do que um dia fomos.

~ CHAMALÚ

CHAMALÚ é um homem de sabedoria que une o ancestral ao contemporâneo, o sagrado ao mundano, o interno ao externo. CHAMALÚ é um místico hedonista, um filósofo da vida, um sonhador prático, um poeta vivencial, um líder visionário que sonha com um mundo novo e vive em coerência com esse desejo.